Aproximadamente há 45 anos, a maior parte dos 43 milhões de pessoas que compunham a população brasileira nesse período, se encontravam concentradas nas proximidades do litoral. O centro-oeste brasileiro era pouco conhecido, gerando inúmeras fábulas sobre a região, que partiam desde índios devoradores de homens, até a existência de montanhas de ouro.
Iniciada em 1943, a Marcha para o Oeste teve como objetivo levar o desenvolvimento para o Brasil-central. Manteve um intenso contato com as várias etnias indígenas que habitavam esse enorme território e eram praticamente desconhecidas. Na liderança dessa expedição, ficaria marcada a figura de três irmãos, Leonardo, Cláudio e Orlando Villas Boas.
O rio Araguaia tinha um importante papel nesse momento, pois ele era a ultima barreira natural que supostamente impedia o progresso civilizatório, que na sua quase totalidade, mais massacrava os índios, do que trazia algum benefício. As margens do grande rio Araguaia dividiam o cerrado e a floresta amazônica, e serviam de último refúgio para essas etnias. Essa falta de “civilização” despertava o interesse de inúmeros fazendeiros e garimpeiros.
Um outro fator extremamente importante, fez com que fosse colocada em prática a expedição. Na Europa, eclodia o auge da Segunda Guerra Mundial, e com ela a noção de “espaço vital”. Essa idéia consistia basicamente, que as nações mais desenvolvidas tinham por direito ocupar os espaços vázios das nações menos desenvolvidas. Essa idéia era defendida principalmente pela Alemanha nazista, que classificava o Centro-oeste brasileiro como um importante lugar para se colocar em pratica essa idéia.
Getúlio Vargas, vendo essa possibilidade de invasão, fez um sobrevôo na região do Araguaia a convite do governador do Estado de Goiás, Pedro Ludovico. Essa viagem simplesmente serviu para que Getúlio definitivamente concluice que a região era “o branco do Brasil central”. Para promover essa expansão, o presidente designou João Alberto Lins de Barros, que era ministro da Coordenação de Mobilização Econômica.
Foi a partir desse momento que se concretizou a criação da Fundação Brasil Central (FBC). Como “carro chefe” da fundação, foi anunciada a Expedição Roncador-Xingu, que tinha como objetivo, fazer um amplo mapeamento da região central do país e com isso, encontrar a melhor forma para a criação de vias que ligassem a região ao restante do país.
Os três irmãos da Expedição
Enganasse quem pensa que os irmãos Villas Boas tiveram uma fácil entrada na FBC. A propaganda promovida pelo governo, havia despertado o interesse dos três irmãos, que logo procuraram uma forma de fazer parte dessa expedição. Acostumados com a vida no campo, os irmãos imaginavam que não teriam grandes dificuldades para serem aceitos, porém, o fato de ambos serem alfabetizados criou um barreira para isso, com a alegação de que pelo fato dos irmãos serem alfabetizados deduzia-se que ambos eram muito educados para enfrentarem a vida no sertão.
Os irmãos, diante dessa alegação, decidiram então se preparar para tentarem novamente o ingresso na expedição, para isso, se prepararam durante um mês, deixaram a barba crescer e tomaram constantes banhos de sol para aparentarem uma fisionomia de pessoas do sertão. Após essa preparação voltaram ao local onde eram feitas as inscrições para a viagem. Dessa vez os irmãos não cometeram o erro de se declararem alfabetizados, e sendo assim foram aceitos naquilo que seria uma das maiores aventuras já existentes no Brasil.