Garimpeiros que estavam sem trabalho nos povoados e cidades do Vale do Tapajós – no Pará – seguem pelas trilhas paralelas aos igarapés em busca de filões abertos e reativados nas clareiras da floresta amazônica.
Muitas são as histórias de contaminação dos rios e igarapés de Itaituba por mercúrio usado no processo de limpeza do ouro. Especialistas, porém, avaliam que a garimpagem, ao aquecer a economia local, ajuda a retardar a chegada da pecuária e da indústria madeireira, apontadas por ambientalistas como as atividades que mais desmatam.
Dados de 2007 do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe) mostram que o município perdeu 7% de sua cobertura original. Em Xinguara, no sudeste paraense, município de pecuária extensiva, o índice chegou a 88%.
Parte dos garimpeiros que seguem para a região do Vale do Tapajós já estiveram em Serra Pelada e do Creporizão, os lendários garimpos da Amazônia dos anos 1980, marcados pela pujança e exploração de trabalhadores.
Duas mil pessoas já seguiram para Bom Jesus – área de descoberta de ouro. Fica a duas horas de helicóptero de Itaituba, cidade às margens do Rio Tapajós e a 1.300 quilômetros de Belém, no Pará.
A estimativa é de que 10 mil pessoas já vivem a nova corrida do ouro em garimpos de Altamira, Itaituba, Jacareacanga e Novo Progresso. É uma área onde a tradição da garimpagem tem mais de um século.