A organização internacional Human Rights Watch responsabiliza as Forças Armadas brasileiras pela falta de informações sobre o paradeiro de pessoas que “desapareceram” porque criticavam o regime militar (1964-1985), a exemplo dos guerrilheiros do Araguaia.
O relatório anual da organização incluiu o tema dos “desaparecidos” durante o regime militar brasileiro em seu relatório sobre violações de direitos humanos. O tema, que não constava de relatórios anteriores, entrou em debate no Brasil em agosto do ano passado, quando a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República publicou o documento Direito à Memória e à Verdade, contando casos de abusos.
A Guerrilha do Araguaia foi um movimento de resistência à ditadura militar organizada pelo Partido Comunista do Brasil (PC do B), nos Estados do Pará, Tocantins e Maranhão, na região do Bico do Papagaio, às margens do rio Araguaia.
A publicação gerou atritos entre as esferas civil e militar do Estado. "(A investigação) não foi capaz de esclarecer importantes aspectos desses crimes, incluindo o paradeiro da maioria dos “desaparecidos”, porque as Forças Armadas brasileiras nunca abriram arquivos importantes dos anos do regime militar", afirmou o relatório.
Em setembro de 2007, o Superior Tribunal de Justiça ordenou às Forças Armadas que abram arquivos secretos e revelem o que houve com os corpos de brasileiros que morreram quando o governo mandou tropas para combater a guerrilha do Araguaia em 1971.
Como em anos anteriores, a ONG voltou a criticar a violência policial e a impunidade no Brasil. "Apesar de o governo brasileiro ter feito esforços para tratar dos abusos de direitos humanos, raramente aponta os responsáveis", afirma o relatório.