Para alguns pesquisadores da seda, se as aranhas fossem vegetarianas sociáveis, o mundo poderia ser um lugar diferente. Pois as aranhas são mestras na fabricação de seda na natureza e, ao longo de milhões de anos de evolução, desenvolveram habilidades que podem ser úteis para as pessoas - de mingau grudento com consistência de creme dental a cabos de tração fortes e elásticos.
"Não estamos falando apenas de um único tipo de material", assegura Cheryl Hayashi, que estuda a genética evolucionária da seda da aranha na Universidade da Califórnia, campus de Riverside.
"Olhando-se a natureza, existem várias soluções prontas. Quer uma cola? Existe um tipo de seda que é uma cola." Durante anos tem se falado da radiante promessa da seda da aranha: que um dia poderia ser usada para fazer cabos mais fortes do que os de aço, por exemplo, ou coletes à prova de bala mais eficientes do que os produzidos com Kevlar.
Todavia, existe um grande problema: as aranhas não conseguem produzir seda suficiente. Embora uma aranha típica possa tecer cinco tipos diferentes de seda, ela não produz nenhum deles em grande volume. Obter quantidades comerciais é praticamente impossível - as aranhas são solitárias e exigem uma dieta de insetos vivos; algumas são canibais. Em outras palavras, criação de aranhas está fora de cogitação.
Os pesquisadores têm trabalhado para superar essa limitação fundamental tentando desvendar os segredos da capacidade de produção de seda pela aranha, para que o produto possa ser feito em laboratório ou pela transferência genética dessa habilidade para outros organismos que poderiam produzi-la em quantidade. Por ora, entretanto, os materiais criados não têm a mesma força e elasticidade, além de outras qualidades do produto real.
Alguns cientistas tentam driblar o problema da aranha buscando reinventar a seda que existe em grande volume, a produzida pelo bicho-da-seda. Eles a estão reconstituindo para produzir materiais que têm um potencial muito superior ao sonho dos coletes à prova de bala. Entre tais pesquisadores estão David Kaplan e outros da Universidade Tufts, cujas criações têm aplicação potencial em medicina e outros campos.