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Tragédia

27/04/2011 - 14h40
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Xeque mate, Urânio mata

A tragédia japonesa veio como lição definitiva do que realmente representa a energia nuclear para a humanidade

Foto: engenharianuclear.blogspot.com
É preciso alertar a sociedade sobre o perigo que a mesma corre

        O que dizem agora os adoradores de urânio, que aqui em Caetité podem ser vistos em todas as esferas da comunidade? O que pode falar agora as altas autoridades locais que defendem e beneficiam a causa dos homens da radiação? Ou, mais uma vez, alheios à marcha dos acontecimentos, adotarão o silêncio covarde como estratégia de comunicação? Agora, quando o mundo assiste a mais um horror atômico, agora, o que dizem os adoradores do urânio? E o discurso da segurança fazer parte do ciclo atômico, e o apelo ecológico de distribuir mudas, de passear pelo bosque enquanto seu lobo não vem?

        Agora, quando o flagelo atômico assusta e mata, onde está essa gente que afirmava de boca cheia que a energia nuclear é limpa? A tragédia japonesa, a nuclear, sobretudo, além de ser lamentável, além de merecer toda a atenção e ajuda, veio como lição definitiva do que realmente representa a energia nuclear para a humanidade, a despeito das suas vantagens econômicas, estratégicas e o escambau. O fato, a verdade, o incontestável é que a energia nuclear não compensa, pelo perigo que traz em si mesma, no seu núcleo de urânio e outros venenos mortais. Energia nuclear, definitivamente, não é uma boa idéia, não é solução, não presta, é suja, é perigosa, mata e contamina, condena gerações à morte, provoca câncer, e ponto final.

        E antes que os defensores do “yellow cake” daqui da terrinha pensem em dizer que o horror nuclear japonês não vale como parâmetro, pois houve o terremoto, a tsunami, essas coisas, lhes digo: exatamente por isto, exatamente por que acidentes acontecem, é que a energia elétrica produzida por usinas atômicas, pela letalidade que lhe é inerente, deve ser imediatamente abolida da face da terra.

        Entendam, o imediatamente é para enfatizar a urgência, é claro que os países não podem fazer uma coisa dessas de uma hora para a outra, mas devem começar a fazê-lo, gradual e firmemente, agora, já! Aliás, membros antigos do clube atômico, como a Alemanha, já formalizaram intenções de sair dessa roubada, de deter o perigo. Por aqui, o governo nada disse de relevante, e parece avançar para a construção de mais usinas, para a produção de mais urânio, de mais “yellow cake”.

        Contudo, a oposição a este terrível engano crescerá, e o curso da história pode ser outro. Ativistas, políticos preocupados com o futuro, cientistas, muita gente boa já se manifesta indicando que o planeta pode desenvolver e explorar fontes de energia limpas, muito mais seguras, muito melhores do que a nuclear. E Caetité, para desespero maior dos movidos a urânio, é a prova viva de que uma outra realidade é possível: é daqui também que ventos novos soprarão no campo da geração de energia sustentável, é aqui que se ergue um belo e poderoso parque eólico.

        Definitivamente, os que não se cansam de sobremaravilhar o “yellow cake” nosso de cada dia passam por maus bocados… Sem ter argumentos, desmascarados pelas nuvens densas e opacas que turvam a paisagem contaminada da terra do sol nascente; pelos relatos de dor e medo vindos da radiação que teima em escapar das usinas japonesas, preferem não dizer nada… Não precisa, a tragédia japonesa fala por si só, e ela nos diz com tintas de sangue: Urânio devasta, urânio também mata.

        *Fabiano Cotrim é um cidadão caetiteense, educador por paixão e como muita gente sabe dos problemas que o urânio já causou e continua causando.

Autor/Fonte: Ecodebate | Edição: Berohokã
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