As atividades humanas, individuais ou coletivas, são geradoras de resíduos e durante o desenvolvimento histórico da sociedade ocorreram mudanças significativas nos padrões de quantidade, qualidade, processos de descarte e possibilidades de assimilação pela natureza dos diversos tipos de materiais utilizados. A Revolução Industrial no século XVIII, o desenvolvimento do capital, a urbanização e o crescimento demográfico diversificaram a composição e possibilitaram um aumento intenso dos rejeitos durante os processos de produção, distribuição e consumo. Principalmente a partir da 2ª Guerra Mundial (1939-1945) foram incorporados novos materiais como vidros, plásticos, borrachas, metais diversos e produtos químicos, em contraste com os rejeitos biodegradáveis como cascas e restos de alimentos, madeiras, papéis e tecidos naturais predominantes até então.
As instituições de ensino produzem resíduos por serem espaços onde há grande concentração de pessoas e também de materiais utilizados no desenvolvimento dos processos pedagógicos: papéis, cartolinas, plásticos, restos de tintas, materiais escolares usados, equipamentos de informática (e outros) obsoletos, materiais esportivos, classes e cadeiras usadas, embalagens diversas, restos de alimentos e outros resíduos próprios dos espaços escolares. Mas as escolas também se constituem em espaços adequados para a realização de atividades e reflexões relacionadas à educação ambiental que fortaleçam a compreensão da comunidade escolar quanto à produção, distribuição, consumo e descarte, induzindo mudanças de valores e de comportamentos não somente nos espaços internos às escolas, mas principalmente nas comunidades de origem dos alunos e suas famílias.
A aprendizagem de procedimentos adequados e o desenvolvimento de capacidades críticas quanto às questões ambientais e/ou relacionadas ao consumo são essenciais para o aprendizado da solidariedade e da responsabilidade na utilização dos bens comuns e dos recursos naturais, possibilitando ações e projetos multidisciplinares que conscientizem a comunidade escolar desde a manutenção da limpeza do ambiente às possibilidades de evitar-se o desperdício.
Estas dificuldades podem ser superadas através da participação da comunidade nas diversas atividades desenvolvidas no contexto escolar, democratizando as decisões administrativas, fortalecendo os processos pedagógicos e as parcerias internas e externas às escolas. Para o educador Paulo Freire, ensinar não é transferir conhecimentos, mas estimular e desenvolver possibilidades para sua construção coletiva, não sendo o aprendizado restrito às salas de aulas e disciplinas específicas dos currículos.
A educação ambiental é um processo interdisciplinar que possibilita um diálogo amplo com diversos grupos sociais, estimulando-se projetos e atividades múltiplas que possibilitam a participação de toda a comunidade escolar. Excursões e passeios ecológicos orientados, hortas comunitárias, feiras de ciências, Produção de materiais informativos (panfletos, jornais, vídeos, blogs), parcerias com ONGs, associações e cooperativas de recicladores, campanhas de conscientização específicas ou gerais, programas internos de separação e destinação adequada do lixo escolar, são algumas ações que certamente contribuirão para a racionalização, reutilização, redução e reciclagem dos resíduos escolares, fortalecendo a participação comunitária e a melhoria do ambiente interno e externo às instituições de ensino.
*Antonio Silvio Hendges, articulista do EcoDebate, é Professor de Biologia e Agente Educacional no RS.