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18/11/2010 - 14h29
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O meio ambiente e a percepção ambiental

O mundo natural do qual fazemos parte, tem uma potencialidade infinita, representada por sua biodiversidade

Foto: 4.bp.blogspot.com
É interessante que o indíviduo possua um conhecimento básicos dos meios físico e biológico

         Os seres humanos e a humanidade por extensão, costumam despertar para uma realidade quando submetidos a situações-limite.

         O acidente da Baia de Minamata, no Japão (epidemia que ocorreu nesta baia do Japão, há mais de 50 anos, onde alguns milhares de pessoas ingeriram peixes contaminados por mercúrio e desenvolveram doenças neurológicas graves com seqüelas por várias gerações, com danos irreversíveis no organismo e doenças teratogênicas), despertou a consciência humana para a compreensão de que nós fazemos parte e estamos integrados em um mundo natural.

         Este despertar que se denomina percepção ambiental. É a forma que perceberemos e valoramos o meio ambiente no qual estamos inseridos. Sobre qualquer aspecto ambiental, desde recursos hídricos, eficiência energética, tratamento de esgotos ou efluentes industriais, gestão de resíduos sólidos, monitoramentos atmosféricos, ecodesign e ações de responsabilidade socioambiental. Sem desnecessárias definições acadêmicas com expressões sofisticadas.

          Este mundo natural do qual fazemos parte, tem uma potencialidade infinita, representada por sua biodiversidade. Ao mesmo tempo tem suscetibilidades próprias e muito delicadas, conforme comprovam os acidentes com poluição de águas, que são uma das faces mais visíveis da exposição ambiental.

         O meio ambiente no qual vivemos é integrado por três compartimentos: o meio físico, constituídos de rochas, solos, águas superficiais, águas subterrâneas, geomorfologia e climas; o meio biológico, constituído de flora e fauna e o meio antrópico ou socioeconômico, correspondente a todas as atividades humanas e suas relações com o meio físico e biológico.

          Portanto para se ter condições de perceber o meio ambiente, é interessante que o indíviduo possua um conhecimento básicos dos meios físico e biológico, para poder avaliar suas inter-relações com o meio antrópico, socioeconômico, ou todas as atividades humanas.

         As próprias resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), que orientam os trabalhos a serem efetuados na área ambiental tem conceitos que obrigam a compreensão integrada e sistêmica, com ampla influência da Teoria Geral dos Sistemas, do biólogo alemão do século XIX Ludwig Von Bertallanfy. E a mesma Teoria Geral dos Sistemas que muito influenciou o desenvolvimento da informática.

         O conceito de impacto ambiental, Art 1 da Resolução 001/86 do CONAMA, de 23 de janeiro de 1986, considera “impacto ambiental qualquer alteração das propriedades físicas, químicas ou biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia (e aqui esta a influência de Bertallanfy), resultante das atividades humanas (e apenas geradas pelo homem, vulcões, terremotos e maremotos não são produzidos pelo homem e embora causem efeitos sobre a humanidade, não são impactos ambientais) que, direta ou indiretamente, afetam:

         I.a saúde, a segurança e o bem estar da população;

          II.as atividades sociais e econômicas;

          III.a biota;

         IV.as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente;

         V.a qualidade dos recursos ambientais.

          O Artigo 6 da mesma Resolução define que o estudo de impacto ambiental desenvolverá trabalhos nas áreas dos meios físico, biológico e antrópico ou socioeconômico.

         A influência dos conceitos sistêmicos é tão evidente quanto a natureza antropocêntrica dos conceitos.

         Um sistema é um conjunto de elementos e das relações entre eles e seus atributos (HALL e FAGEN, 1956). Assim, o corpo humano é formado por vários sistemas (sistema digestivo, sistema respiratório, etc.). E o meio ambiente é formado por ecossistemas: marinho, lagunar, eólico, etc. E por biomas que são ecossistemas específicos, hierarquizados em conjuntos de relações entre os meios físico (rochas, solos, águas, geomorfologia e climas) e biológicos (flora e fauna), cujo exemplo de fácil compreensão no centro oeste é o cerrado ou o pantanal.

         O cerrado ou o pantanal são conjuntos hierarquizados de relações entre os 3 meios, cujos resultados são específicos e inimitáveis, só ocorrem nas condições da combinação hierarquizada. Roberto Naime, colunista do Portal EcoDebate, é Professor no Programa de pós-graduação em Qualidade Ambiental, Universidade FEEVALE, Novo Hamburgo – RS.

         *Roberto Naime, colunista do Portal EcoDebate, é Professor no Programa de pós-graduação em Qualidade Ambiental, Universidade FEEVALE, Novo Hamburgo – RS.

 

Autor/Fonte: Eco Debate | Edição: Berohokã
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