A WWF publicou, em 13 de outubro, o relatório Planeta Vivo (Living Planet) 2010, que mostra o crescimento da Pegada Ecológica mundial e a diminuição da biodiversidade.
A Pegada Ecológica de um país, de uma cidade ou de uma pessoa, corresponde ao tamanho das áreas produtivas de terra, de água doce e de mar, necessárias para gerar produtos, bens e serviços que sustentam determinados estilos de vida. É uma forma de medir, em hectares (ha), a extensão de território que uma pessoa ou toda uma sociedade utiliza, em média, para se sustentar.
O relatório Planeta Vivo 2010 mostra que a demanda por recursos naturais da humanidade duplicou desde 1966 e que o ser humano está utilizando o equivalente a um planeta e meio para sustentar suas atividades. Neste ritmo, serão precisos dois planetas para satisfazer os níveis anuais do padrão de produção e consumo antropogênico, em 2030.
Segundo o relatório da WWF, os dez países com a maior Pegada Ecológica per capita são: Emirados Árabes Unidos, Catar, Dinamarca, Bélgica, Estados Unidos, Estônia, Canadá, Austrália, Kuwait e Irlanda. O Brasil ocupa a 56º posição neste ranking. Os 32 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), são responsáveis por quase 40% da Pegada Ecológica mundial.
Os países do BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China – possuem uma população maior e uma Pegada Ecológica menor. Contudo, o acelerado crescimento econômico destes 4 países está comprometendo as condições ambientais, já se vislumbrando uma pegada ecológica maior dos BRICs do que dos países desenvolvidos, em um futuro próximo.
O relatório mostra também que o carbono é o principal culpado pelo aumento da Pegada Ecológica e pelo aquecimento global. A Pegada de carbono aumentou de forma assustadora e multiplicou-se por onze nos últimos 50 anos. Isso significa que hoje o carbono é responsável por mais da metade da Pegada Ecológica mundial. Significa, também, que torna-se urgente abandonar a queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás) e fazer uma transição para a economia de baixo carbono e de energias renováveis e limpas.
Desta forma, o desafio da humanidade para as próximas décadas é reduzir o ritmo de crescimento da população e fazer uma drática mudança no modo de producão e consumo da sociedade. As atividades antropogências não podem ultrapassar a capacidade de regeneração do Planeta. No ritmo atual, estamos caminhando para o suicídio e o ecocídio.
Em relação à biodiversidade, o relatório mostra que, em algumas áreas temperadas, houve uma recuperação promissora de populações de espécies – graças, em parte, ao aumento dos esforços de conservação da natureza e a um melhor controle da poluição e do lixo. No entanto, nas áreas tropicais, houve uma queda de quase 70% nas populações aquáticas (água doce), sendo que esse percentual corresponde ao maior declínio já mensurado em quaisquer espécies, em áreas terrestres ou nos oceanos.
O relatório mostra que o Brasil possui uma alta biocapacidade, mas as mudanças nos hábitos de consumo da população brasileira e a demanda crescente por produtos agrícolas têm pressionado os recursos naturais. O crescimento da classe C, juntamente com o elevado padrão de consumo das classes A e B, tem aumentado a Pegada Ecológica e reduzido a biodiversidade do país. O Brasil já vive acima da sustentabilidade ambiental e os candidatos à Presidência da República, em 2010, só falam em aumentar o consumo, prometendo “mundos e fundos” para os eleitores.
Como disse Denise Hamú, Secretária-Geral do WWF-Brasil: “A redução da desigualdade com aumento do poder aquisitivo da população brasileira é uma conquista positiva. No entanto, também nos coloca frente a um grande desafio que é o de crescer sem esgotar nossos recursos naturais”.
* José Eustáquio Diniz Alves, colunista do EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE.