É natural de Cáceres , cidade do Oeste de Mato Grosso, umas das principais revelações do futebol mato-grossense. Trata-se do atacante Aguillar Aparecido de Oliveira, 15 anos, mais conhecido como Aguilar. O garoto é titular da Seleção Brasileira sub 17, que está concentrada na Granja Comary, em Teresópolis (RJ), atuando como centro-avante. Ele vai disputar o Sul Americano no Equador. Tão novo, tão menino e já não é mais produto local: seus direitos econômicos pertencem ao Manchester United, da Inglaterra. Aguilar atualmente joga pelo Desportivo Brasil, de Presidente Prudente, clube que funciona como uma franquia do time inglês, numa parceria com a Traffic, do empresário Jota Havilla. É um craque. "É um jogador diferente, centroavante de área mesmo e que é muito bom no jogo aéreo” – diz o técnico Emerson Ávila, da Sub-17.
Para chegar a essa condição, pai do garoto, o policial militar aposentado Cleodomir Oliveira, conta com orgulhos os sacrifícios. “Não foi fácil, mas tudo tem seus sacritfícios” – diz. O militar reformado disse que no ano passado foi surpreendido com a visita do empresário Jota Havilla, em sua residência no bairro Jardim Cidade Nova, área periférica de Cáceres. O cartola tinha visto o jogador atuar partidas durante excursões que o CTN de Cáceres fez em 2008 pelo interior de São Paulo. Contratou-o! Apesar da pouca idade, Aguillar passou uma temporada no Cruzeiro de Belo Horizonte (MG), mas não se adaptou , tendo em vista que o custo de passagens e uniformes era bancados pelo pai em Cáceres.
Foi quando recebeu uma proposta do emissário inglês para efetuasse a sua transferência para o Centro de Treinamento , em Presidente Prudente. Além do contrato com a Traffic/Manchester, o garoto passou a ter patrocínio da Nike na parte de uniformes. Esses gastos vinha sendo custeados pela família. Cleodomir relata que desdobrar para manter o menino fora do Estado apenas com o soldo de militar reformado da PM de Mato Grosso. Conta que não conseguia dar conta das despesas e até arranjou um bico como instrutor de auto escola para custear o garoto. Mas tranqüilo, Cleodomir não fala em cifras. Ele desconversa quando é indagado sobre a suposta acusação de que o Manchester/Traffic teria lhe adiantado R$ 450 mil, para arrancar o jogador do Cruzeiro de Minas, e assinar como clube inglês.
O caso ganhou repercussão nas páginas dos jornais especializados a partir das denuncias do presidente do Cruzeiro, que acusou a empresa de marketing esportivo de estar aliciando jogadores de sua base e citou o cacerense Aguilar. “Isso não é verdade. O Zezé Perrela nunca havia nos procurado, nunca tive oportunidade de assistir um jogo sequer do garoto em Minas, nunca pagaram nem chuteiras, nem passagens entre Cáceres e Belo Horizonte” - explicou o pai. O militar reformado diz que agora, com a Traffic, Aguillar tem estudos bancados em escolas particulares com inclusão de aulas em inglês. Agora é aguardar que o jovem talento aproveite não só a chance como jogador profissional de um dos principais clubes do mundo, como também utilize todos os recursos que lhe serão oferecidos para se tornar um cidadão de boa formação.