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18/04/2011 - 16h23
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Apesar de buraco no Ártico, camada de ozônio está sob controle

A variabilidade da camada é muito baixa no seu total e, por estar presente no mundo inteiro, não há motivo para alarde

Foto: Getty Images
Dados divulgados recentemente apontam a diminuição na camada de ozônio no Ártico

        A recente notícia de que a camada de ozônio na região do Ártico chegou a seu nível histórico mais baixo deixou cientistas surpresos, já que normalmente é a Antártida que sofre mais com o chamado "buraco" da ozonosfera. Apesar do alerta mundial com a notícia, o diretor associado do Centro de Pesquisas Meteorológicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Hilton Silveira Pinto, afirma que a variabilidade da camada de ozônio é muito baixa no seu total e, por estar presente no mundo inteiro, não há motivo para alarde.

        "O medo do povo é que esse buraco vá abrindo cada vez mais, porque a camada de ozônio estaria sendo destruída, o que não é verdade. E não é porque o buraco é maior ou menor em uma região que isso vai interferir na incidência de radiação em outras partes", explica Pinto.

        Um estudo lançado no início deste mês pelo Centro Nacional de Pesquisas Científicas francês (CNRS) mostrou que, no final de março, a redução da camada que protege a Terra dos raios ultravioleta foi de 40% no Polo Norte. O motivo desta degradação seria "um inverno estratosférico muito frio e persistente", que conduziu a uma grande e prolongada destruição de ozônio até a primavera do hemisfério norte.

        "A camada de ozônio não é estável. Ela é instável, ou seja, quando aparece o sol, que tem radiação ultravioleta, ela se forma para barrar isso. Então, à noite, o ozônio praticamente inexiste, porque não há sol", explica Pinto. "Normalmente, no Polo Sul, na Antártida, é que você vê a formação do que as pessoas chamam de ´buraco´. Mas isso sempre existiu e sempre vai existir. E também o tamanho da superfície total desse ´buraco´ varia de acordo com o tempo, quando você tem mais ou menos sol", diz o especialista.

        "O interessante é que, como a Terra gira, ela forma um vórtex. Quando a gente abre um ralo de pia, a gente vê a água girando. Imagine isso na atmosfera, só que em escala muito maior. Esse tipo de vórtex que ela faz também contribui com o buraco de ozônio", afirma o professor da Unicamp.

        Silveira Pinto explica que, na década de 1980, a presença de clorofluorcarbonos (CFC) em sprays e refrigeradores foi apontada como uma das grandes causadoras do "buraco" na camada de ozônio. Conforme ele, o CFC substituía um átomo de carbono na atmosfera. "Desta forma, ele fazia com que o oxigênio se transformasse não mais em ozônio, mas num composto com cloro. E supostamente isso iria consumir o ozônio, haveria uma diminuição pela formação de um derivado. Mas isso foi suspenso e CFCs não são mais fabricados, de forma que não existe esse perigo de diminuição da camada de ozônio. Hoje em dia ela é considerada totalmente estável", afirma o especialista.

        A assinatura do Protocolo de Montréal, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 1989, firmou o compromisso de diversos países na substituição das substâncias que estariam reagindo com o ozônio na parte superior da estratosfera. Devido à grande adesão mundial, o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, chegou a comentar que o termo seria possivelmente o mais bem sucedido acordo internacional de todos os tempos.

        "Por todas estas razões, não existe, comprovadamente, perigo de que um ´buraco´ na camada de ozônio venha a causar problemas sérios, pelo menos nos próximos anos", completou o professor da Unicamp.

 

Autor/Fonte: Terra | Edição: Berohokã
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