O temor de uma contaminação radioativa ainda persiste no Japão, já que as autoridades não descartam o risco na avariada central de Fukushima, cujos resíduos ameaçam os produtos procedentes do mar.
O ministério da Saúde pediu aos municípios de Chiba e Ibaraki, ao leste de Tóquio, que intensifiquem os controles dos peixes e moluscos pescados nas costas das localidades.
No dia 21 de março foram detectados índices de iodo 131 e de césio 134, 126,7 e 24,8 vezes mais elevados, respectivamente, que os fixados pelo governo, em análises das águas do mar próximas de Fukushima, 250 km ao norte da megalópole de Tóquio e de seus 35 milhões de habitantes.
A empresa Tokyo Electric Power (Tepco), que administra as centrais nucleares, afirma no entanto que estes níveis de radioatividade não constituem uma ameaça para a saúde das pessoas.
A Agência de Pesca informou que os pescadores ainda não conseguiram retornar ao trabalho, 11 dias depois da destruição de barcos e portos pelo tsunami provocado pelo terremoto de nove graus de magnitude.
A catástrofe, a mais grave no Japão desde a Segunda Guerra Mundial, deixou 22.000 mortos e desaparecidos, incluindo 9.079 falecimentos confirmados, segundo o balanço provisório mais recente.
Para evitar novos vazamentos radioativos, as operações prosseguem para tentar restabelecer os sistemas de resfriamento dos reatores.
As operações foram iniciadas após os primeiros incidentes registrados em 12 de março, apesar do risco que representam para a saúde dos bombeiros e técnicos expostos a fortes radiações. No dia 21 de março, um vazamento de colunas de fumaça afetou os reatores 2 e 3.
A central de Fukushima Daiichi (N°1), com estruturas obsoletas, foi gravemente afetada pelo terremoto e pela onda de 14 metros gerada em seguida no Oceano Pacífico.
Mas o resfriamento dos reatores, essencial para evitar uma fusão do combustível nuclear, ainda não foi obtido.
Os técnicos começaram a utilizar um caminhão alemão equipado para jogar água sobre o teto do reator 4.
Outro caminhão, com um imenso braço articulado, deixou a China com destino ao Japão, onde será utilizado em Fukushima para molhar as instalações.
Este veículo pode alcançar altura de 62 metros, segundo o grupo chinês Sany, especializado em material pesado para obras.
O reator 3 foi o mais danificado e é, entre os seis reatores, o que mais preocupa as autoridades.
Além disso, contém combustível MOX, uma mistura de óxidos de plutônio e de urânio procedente de produtos reciclados, cujos dejetos são considerados mais nocivos que aqueles gerados por um combustível a base de urânio.
Um vice-presidente da Tepco pediu desculpas à população que se viu obrigada a abandonar a região.
"Sinto muito sinceramente, nossa empresa provocou ansiedade e prejuízos aos habitantes das proximidades das centrais, aos do município de Fukushima e aos do país em seu conjunto", declarou Norio Tsuzumi, que se inclinou profundamente, como exige a tradição do país.
Os diferentes organismos públicos repetem que o nível de radioatividade detectado na chuva, na água corrente e em alguns alimentos não representa uma ameaça para a saúde.
Apesar das ameaças que ainda pesam sobre a central de Fukushima, a Bolsa de Tóquio encerrou a sessão do dia 22 de março em forte alta de 4,36%.
Mas a economia segue afetada. As montadoras Toyota e Honda anunciaram nesta terça-feira o adiamento da retomada das atividades nas linhas de montagem no Japão em consequência da falta de algumas peças.