Lideranças indígenas estão acompanhando o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na coleta de amostras da água do rio Xingu. O rio começou a ser barrado para a construção da hidrelétrica de Belo Monte. A decisão pelo acompanhamento dos trabalhos por lideranças indígenas foi tomada em reunião promovida pelo Ministério Público Federal (MPF) em Altamira, no dia 25 de janeiro. Os indígenas contestaram os resultados do levantamento feito pela Norte Energia, consórcio responsável pela hidrelétrica.Segundo a empresa, que diz ter coletado amostras no dia 21 de janeiro, a qualidade da água do Rio Xingu não foi afetada. No entanto, indígenas afirmam que a água está extremamente barrenta, prejudicando o consumo e a pesca. A vistoria determinada pelo MPF terá participação de representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e da Norte Energia.
Independentemente dos resultados da coleta, a pedido dos indígenas a empresa comprometeu-se a iniciar estudos em campo para identificar pontos para perfuração de poços artesianos nas aldeias.
A falta de atendimento a iniciativas obrigatórias (as chamadas condicionantes) é motivo de uma das 14 ações que o MPF move na Justiça contra ilegalidades na implementação da hidrelétrica, segundo o procurador da República Cláudio Terre do Amaral. Ele informou ainda que a instituição solicitou ao Conselho Nacional de Justiça colocar como prioritário o julgamento de casos de empreendimentos como Belo Monte, que envolvem grandes impactos socioambientais.
“Se for comprovado que a qualidade da água está comprometida e nenhuma solução for tomada, o MPF não descarta entrar com mais uma ação judicial”, avisou Amaral.