A necessidade de se falar português, inglês, espanhol e outros idiomas não é apenas uma preocupação de famílias tradicionais da classe média brasileira. Essa é uma necessidade levantada e debatida na manhã do dia 9 de novembro, em uma das mesas de reuniões do Fórum Social dos XI Jogos dos Povos Indígenas que estão acontecendo de 05 a 12 de novembro na Ilha de Porto Real, no município de Porto Nacional (TO). Vários líderes indígenas participaram da temática que teve à frente o coordenador geral do evento, Marcos Terena, e a advogada indígena, Fernanda Kaingáng.
Atualmente cerca de um milhão de indígenas habitam o território brasileiro, distribuídos em 240 povos. Para a mestre em direito, Fernanda Kaingáng, hoje em dia os indígenas precisam buscar uma “participação plena” nas discussões internacionais sobre o futuro do meio ambiente do planeta. E para isso, o domínio de línguas como o inglês e o espanhol, além do português, é fundamental. “É importante que nossa participação em grandes eventos internacionais não seja apenas numerosa, e sim participativa. Precisamos falar outros idiomas para termos voz”, destacou.
O trabalho para que os resultados sejam alcançados já começou e o foco prioritário é a Rio+20 – a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável que será realizada em 2012 na cidade do Rio de Janeiro. Estão sendo realizadas capacitações em várias aldeias do País para que os indígenas saibam como funcionará a Conferência e possam contribuir com propostas. “Lá (na Rio+20), vamos mostrar para a juventude do Brasil como será o futuro do Brasil”, afirmou Marcos Terena ao falar sobre a defesa das questões relativas ao meio ambiente e à “economia verde”. O desenvolvimento sustentável e a eliminação da pobreza serão questões norteadoras dos debates da Conferência.
Os povos indígenas do Tocantins também estão se organizando para participarem da Rio+20. Isso é o que diz o presidente da União Indígena Xerente do Estado, Srêwe Xerente. “Até o final do ano vamos fazer capacitações aqui no Estado para que possamos formar propostas e representantes para a Rio+20”, ressaltou. Para ele, a necessidade do domínio de outros idiomas também é preocupação dos povos tocantinenses.