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27/10/2011 - 15h16
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Indígenas criticam obra e articulam ações contra Belo Monte

Em seminário realizado em Altamira, movimentos e organizações contrárias à construção da usina também reclamam de cobertura da imprensa

Foto: Exame
Participantes criticaram também a manipulação das informações divulgadas pelo poder público

         O impacto de empreendimentos hidrelétricos nas comunidades indígenas, principalmente na Amazônia, foi o tema que norteou o primeiro debate de seminário realizado em Altamira, no Pará, a 800 quilômetros de Belém. Com críticas à falta de consultas prévias a comunidades indígenas, previstas na Constituição, os participantes criticaram também a manipulação das informações divulgadas pelo poder público.

         Lideranças de etnias como os Assurini criticaram a cobertura da imprensa ao relatar que parte dos indígenas seria favorável à construção. A avaliação é de que as reportagens não têm relatado corretamente a opinião das comunidades, contrária à instalação da usina. Eles criticam também o modelo de compensação, que seria baseado mais em itens paliativos, como cestas básicas, do que em ações efetivas para reduzir ou impedir o impacto socioambiental das obras.

         Representantes dos povos Araweté, Assurini, Kayapó, Kraô, Apinajés, Gavião, Munduruku, Guajajara, Arara, Xipaya e Juruna das regiões de Altamira e Santarém (PA), do Tocantins, Goiás e Maranhão compartilharam experiências de impactos de grandes empreendimentos em diversas regiões do país, como os projetos de hidrelétricas do Teles Pires, no rio Tapajós (na divisa do Mato Grosso com o Pará), e Tucuruí (PA), a 480 quilômetros de Belém.

         Juma Xipaya, representante dos Xipaia, da região de Altamira, que sofrerá impactos pelas obras e pelo funcionamento de Belo Monte, considera que a usina ainda pode ser barrada. “Belo Monte é fato consumado? Não! As máquinas estão aqui, mas a usina só vai sair se nós deixamos sair.” E ressalta: “Já fizemos tantas reuniões, tantos documentos, e deu em quê? O canteiro de obras está sendo construído. Precisamos sair na rua, gritar, e fazer algo diferente. Vamos somar forças, mas não podemos continuar falando, enquanto as máquinas estão destruindo nossa natureza! A natureza está chorando, os rios estão implorando! O que vai ser o resultado desse encontro? Espero que vai ser algo mais, nós somos os defensores do nosso rio. Só nós!".

         A jovem Njrenhdjãm Xicrín, da aldeia Pykajakà, tem outro motivo para participar do encontro. “Vim para aprender mais sobre a usina, apreender a questionar, para poder informar nosso povo e correr atrás dos nossos direitos.” Os Xicrín afirmam terem sido ignorados na discussão. “Até agora sempre falavam que os Xicrín não seriam atingidos. Assim, nem todos eram contra a usina", ressaltou. Ela acredita que o governo comete uma injustiça ao autorizar o início da obrar antes de que todos os estudos sobre os impactos fosse finalizados.

Autor/Fonte: Brasil Atual | Edição: Berohokã
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