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Revolta

20/10/2011 - 17h03
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Índios invadem fazendas e levam 600 cabeças de gado em MT

Eles também mantiveram quatro homens reféns dentro da aldeia

Foto: Mfrural.com.br
Indígenas exigem a retirada de fazendeiros e são contrários à instalação de usina

         Índios da etnia Tapirapé localizados na Terra Indígena Urubu Branco, no município de Confresa, a 1.160 quilômetros de Cuiabá, invadiram no dia 19 de outubro duas fazendas instaladas dentro da terra indígena e levaram cerca de 600 cabeças de gado para a aldeia. Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), a atitude dos indígenas é uma forma de protesto para reivindicar a retirada de fazendeiros da região. Os índios também são contrários à construção da usina hidrelétrica São Manuel, no Rio Telles Pires.

         A Polícia Federal do município de Barra do Garças, a 516 km da capital, confirmou ao G1 o envio de uma equipe de policiais para intermediar a situação. De acordo com o delegado Bruno Rodrigues, da PF, os fazendeiros alegam que vivem no local desde antes da demarcação da terra e resistem em deixar a região. A Polícia Militar de Confresa faz policiamento preventivo na aldeia e teme a revolta dos fazendeiros.

         Os indígenas também mantiveram reféns por dois dias cinco técnicos da Fundação Nacional do Índio (Funai) e mais dois engenheiros da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Eles foram libertados na noite desta terça-feira (18). Ao G1, a assessoria de imprensa da Funai informou que os reféns apenas ficaram impedidos de sair da aldeia, mas receberam água e comida nos dois dias. Nenhum deles sofreu ferimentos.

         Os funcionários da Funai e mais dois engenheiros da EPE estavam na aldeia para apresentar aos indígenas o projeto de instalação da usina hidrelétrica São Manuel. Segundo a assessoria de imprensa da EPE , a ida dos engenheiros à aldeia faz parte de um roteiro de audiências públicas que serão realizadas. A usina deve gerar 700 megawatts de energia.

         A Funai informou que obteve recentemente decisão favorável da Justiça para dar prosseguimento ao processo de demarcação da área em litígio onde estão os fazendeiros. A Fundação enfatizou que vai divulgar um edital ainda este ano para contratar uma empresa que será responsável pela demarcação das terras. Esta informação será encaminhada aos índios ainda nesta quarta-feira e, pela previsão do órgão, pode por fim ao impasse.

         Apesar de demarcada, a Terra Indígena Urubu Branco é palco constante de conflitos fundiários entre índios e  fazendeiros. Na semana passada, cinco pessoas foram presas suspeitas de retirar madeira de forma ilegal na área indígena. Segundo a Polícia Federal, os suspeitos chegaram a montar um acampamento dentro da mata para dar apoio à atividade ilegal. Todos os anos, madeireiras e garimpos foram fechados pela Polícia Federal nas terras da Urubu Branco.



 

Autor/Fonte: Top News | Edição: Berohokã
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