O presidente da Bolívia, Evo Morales, ofereceu um diálogo direto com manifestantes indígenas que preparam um enorme protesto em La Paz nesta quarta-feira contra a construção de uma rodovia em uma reserva natural.
O ministro de Governo (equivalente à Casa Civil) da Bolívia, Wilfredo Chávez, disse que a polícia vai garantir a segurança dos indígenas. Há cerca de 20 dias, uma manifestação semelhante foi reprimida com violência.
Chamando os manifestantes de “irmãos em marcha”, o ministro acrescentou que “todos os direitos serão preservados”. O ministro acrescentou que a disposição do governo é buscar o “diálogo e a boa fé” no relacionamento com os manifestantes. “O palácio está aberto para a recepção dos indígenas", disse Chávez. Está prevista uma reunião dos líderes do movimento com Evo Morales.
Os milhares de manifestantes protestam contra a construção da estrada Villa Tunari 2-San Ignacio de Moxos, que corta uma das maiores reservas indígenas do país. A marcha contra a estrada, que está a cargo da empresa brasileira OAS, dura 65 dias.
A crise na Bolívia levou à renuncia de dois ministros e fez com que Morales anunciasse a suspensão temporária da obra rodoviária. Agora, a construção será submetida a referendo nas regiões de Beni e Cochabamba, por onde passaria a estrada.
Um empréstimo de US$ 332 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) previsto para ser feito à construção ainda não foi efetuado. De acordo com o BNDES, nenhum desembolso visando a financiar importações de equipamentos e serviços brasileiros foi realizado até o momento.
O BNDES garantiu também que aguardará a decisão do governo da Bolívia sobre a continuidade ou não da construção da estrada. O financiamento foi aprovado no fim do ano passado e contratado no começo deste ano, e a obra teve início em junho.