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Protesto

22/08/2011 - 15h57
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Indígenas bolivianos continuam caminhada para impedir construção de estrada

Cerca de 1.000 indígenas querem suspender a construção de uma estrada que deve atravessar um parque natural

Foto: AFP
Aborígenes opõem-se ao traçado de uma estrada de mais de 300 quilômetros

         Indígenas da Amazónia boliviana, que iniciaram uma marcha de 600 quilómetros até La Paz contra uma estrada financiada pelo Brasil, que cruza uma reserva ecológica, rejeitaram um convite do presidente Evo Morales para dialogar e anunciaram que vão continuar a caminhada.

         Morales tinha pedido na véspera o início de um diálogo imediato na sede do Governo para acabar com o protesto protagonizado por 1.250 pessoas. “Não vamos participar de nenhum diálogo. Se ele (Morales) quiser vir até à marcha, que venha”, afirmou por telefone o dirigente do Território Indígena e Parque Nacional Isiboro Sécure (TIPNIS), Ernesto Sánchez.

         Os nativos, que iniciaram a marcha no dia 15 de agosto, já se encontram no povoado amazónico de San Ignacio de Moxos, 500 quilómetros a nordeste de La Paz.

         Cerca de 1.000 indígenas bolivianos querem convencer o Presidente Evo Morales a suspender a construção de uma estrada que deve atravessar um parque natural.

         Os aborígenes do centro e da Amazónia boliviana opõem-se ao traçado de uma estrada de mais de 300 quilômetros financiada pelo Brasil através do TIPNIS, uma reserva nacional onde moram cerca de 50 mil pessoas e rica em flora e fauna. Já começou a ser construída uma primeira parte da estrada, mas as obras ainda não chegaram ao TIPNIS, conforme o previsto.

         Os nativos querem caminhar 600 quilómetros em 40 dias desde Trinidad até La Paz. O poder executivo fez diversos pedidos de diálogo para conter a marcha de protesto, mas os indígenas indicaram que para qualquer negociação é preciso que os diriogentes atendam primeiro as suas exigências.

         O presidente Evo Morales, da etnia aymara, respondeu dias atrás que a execução da obra viária vai ocorrer e adiantou que vai realizar a consulta indígena estabelecida no Convénio 169 da OIT, embora tenha esclarecido que o diálogo não tem carácter de cumprimento obrigatório para as partes.

 


Autor/Fonte: Terra | Edição: Berohokã
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