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Costumes

23/05/2011 - 15h15
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Jogos Urbanos Indígenas atraem mais de 200 atletas em Campo Grande

Parque Sóter recebeu competições em modalidades tradicionais, como arco e flecha e arremesso de lança. Torneio serve para resgatar cultura indígena

Foto: Nossacara.com
Os jogos urbanos atraíram este ano mais de 200 inscritos em seis modalidades esportivas

         De longe, parece uma partida comum de futebol. Mas basta chegar mais perto para notar a diferença: os jogadores se comunicam em campo na língua terena, uma das seis etnias que participaram dos Jogos Urbanos Indígenas em Campo Grande neste domingo.

         - Poke´e ke! - a instrução dos atletas é traduzida como “toca [a bola] no chão!” por Francisco Vitor, filho de terenas. Enquanto assiste ao jogo entre Estrela da Manhã e Acadêmica Indígena, no campo do Parque Sóter, ele traduz outras expressões como “kirika” (rápido) ou “vanu keke” (toca [a bola] no alto). O português é o idioma oficial para a maioria, mas a língua tradicional jamais é esquecida, passa de geração para geração.

         Em Campo Grande existem 18 comunidades distribuídas em quatro aldeias urbanas, que reúnem ao todo cerca de 8 mil moradores. Os jogos urbanos atraíram este ano mais de 200 inscritos em seis modalidades esportivas: futebol society, vôlei, atletismo, arco e flecha, arremesso de lança e cabo de guerra. As três últimas fazem parte dos costumes indígenas e servem para resgatar as tradições nas aldeias.

         O arqueiro terena Dozenildo Francisco Jerônimo, segundo lugar no arco e flecha, explica que a prova consiste em três chances para o atirador fazer a maior pontuação possível em um alvo fixo a 20 metros de distância. Os instrumentos são feitos a partir do tucum, uma espécie de palmeira nativa, e a decoração leva penas de aves. A seta também é de tucum, mas para caçar usa-se osso.

         E a rivalidade no esporte? Entre os indígenas não existem desavenças como acontece com o homem branco, na opinião do coordenador dos jogos, o terena Adierson Venancio. Isso se deve à cultura de paz nas aldeias.

         - Pode brigar num dia, mas no outro faz as pazes. Ninguém é melhor do que ninguém – afirma.

 

Autor/Fonte: Globo Esporte | Edição: Berohokã
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