Amambay, Paraguai, 24 mar (Prensa Latina) Indígenas da Argentina, Brasil, Bolívia e Paraguai debatem sobre territorialidade, um dos temas principais do II Encontro da Nação Guarani que começa hoje aqui com a presença de mais de mil delegados.
Expositores desses países abordarão tópicos como a autonomia e a livre autodeterminação, demarcações, reconhecimentos políticos e garantias jurídicas, associadas estas últimas à aplicação e ao cumprimento de leis, convênios e tratados internacionais, além do direito consuetudinário.
Outras propostas a serem debatidas versam sobre o Aquífero Guarani e os direitos de posse e uso dos recursos naturais: ar, solo e subsolo.
Os indígenas sul-americanos abordarão também amanhã o livre trânsito pelos territórios considerados Nação Guarani dentro do Mercado Comum do Sul e a criação de uma instância permanente da Nação guarani dentro do bloco regional.
Como parte do encontro, mais de uma centena crianças e adolescentes guaranis dos países participantes se reunirão com o objetivo de compartilhar suas realidades e estabelecer propostas de ação.
Esta convocação foi realizada em conjunto pela Direção de Povos Originários e a de Participação Protagônica da Secretaria Nacional da Criança e a Adolescência, e busca promover espaços de participação desse setor para a análise de sua realidade no contexto da globalização.
O II Encontro da Nação Guarani, que se estenderá até depois de amanhã, começará nesta quinta-feira com um ato espiritual a cargo do líder religioso da comunidade Pâi.
O Paraguai foi escolhido para este encontro por ser um território ancestral com marcada presença da nação guarani, representados pelos povos Ache, Ava Guarani, Mby, Pâi Tavyterâ, Guarani Ñandéva e Guarani Ocidental.
Em declarações a Prensa Latina, a indígena paraguaia Alva Duarte expressou que seu maior desejo tão logo termine a reunião é que fiquem instalados todos os programas, a visão do originário e seu pensamento, porque uma vez concluído "se esquecem".
Duarte apontou que gostaria de que fossem ao encontro pessoas não indígenas porque "nós trabalhamos na conscientização".
Existe uma grande ignorância na comunidade nacional sobre os direitos dos povos originários -sublinhou- "por isso há muita submissão, choques culturais; mas nós buscamos construir um caminho para todos, de cultura conjunta", acrescentou.
"Muitas coisas estão passando em meu país com minha gente, acrescentou, meninos, meninas e adolescentes estão sofrendo, há muita migração pelas pressões dos grandes latifundiários e fazendeiros, quem buscam desenvolvimento, mas nós estamos a cada dia mais empobrecidos".