A palestra "Relances de Outros Mundos: A riqueza ameaçada das línguas indígenas", ministrada pela doutora em Arqueologia e pesquisadora Marianne Mithun, discutiu com louvor a questão da preservação da linguagem e cultura indígena.
Na tarde do dia 20 de agosto, sexta-feira, ela mostrou diversos exemplos de significação das palavras no cotidiano dos índios. Explicou também como nasce a gramática e a importância de conhecer o comportamento de um povo indígena.
Marianne falou sobre os dados culturais que se perdem com o sumiço de um idioma ou dialeto. "Quando uma língua desaparece, se perde também a maneira de um povo enxergar o mundo e uma percepção única dele", avaliou.
"A língua é um centro intelectual da cultura. Se ela for eliminada, não é possível identificar a forma de interação de várias gerações de falantes", completou.
O futuro das línguas faladas por pequenas comunidades é incerto e preocupante. "As próximas gerações da Yup’ik, por exemplo, são uma incógnita, pois as crianças falam muito bem o inglês e não sabemos como elas vão lidar com a responsabilidade de dar continuidade à linguagem do povo o qual pertencem", comentou.
Marianne realizou sua pesquisa em algumas comunidades indígenas e comprovou que as forças das palavras são mais intensas.
"Como são pequenos grupos de pessoas, as palavras tendem a ser muito específicas", disse ao utilizar exemplos de termos particulares criados por tribos indígenas e esquimós. "A gramática vem da sistematização, representa os sentimentos que as pessoas de uma cultura decidiram expressar ao longo dos anos e por isso tem muito a dizer sobre o comportamento humano", explica.
Segundo a antropóloga, um dos motivos para o sumiço de determinadas línguas no continente latino-americano são as doenças que dizimaram as populações indígenas antes que elas pudessem ser mapeadas até o estilo de educação imposta pelos colonizadores.
"Os índios eram convencidos que a cultura deles era inferior; então eles se desprendiam dos valores tradicionais. Hoje, felizmente, a importância da preservação é muito mais difundida entre as comunidades de falantes", ressaltou Marianne.