BEROHOKÃ O GRANDE RIO ARAGUAIA
/publicidade

Povos

12/08/2009 - 12h07
IMPRIMIR ESTA MATÉRIA
A+
A-

Índios no interior do Amazonas falam 19 línguas

A população de São Gabriel da Cachoeira, formada em sua maioria por índios, fala quatro línguas oficiais

São Gabriel da Cachoeira - Foto J. Neckel

        Aproximadamente 23 etnias indígenas da região da Cabeça do Cachorro, localizada na cidade de São Gabriel da Cachoeira (AM), se comunicam em mais de 19 línguas. Este é o único município quadrilíngue do país. A população de São Gabriel da Cachoeira, formada em sua maioria por índios, fala quatro línguas oficiais, sendo elas o tukano, o baniwa, o português e o nhengatu, inventado pelos jesuítas do século XVII para evangelizar os índios.

        Um exemplo da diversidade linguística existente naquela região é o índio baniwa Luís da Silva. Ele é capaz de se comunicar em nove línguas: baniwa, tukano, wanano, kuebo, kuripaco, werekena, nhengatu, espanhol e português.

        Assim como Silva, o índio tukano Laureano Maia também fala vários idiomas. Apesar disso, ele recorda que na época em que aprendeu o português com os padres, temeu esquecer o idioma de sua tribo. “Pôxa, e agora? Como que a gente vai ficar sem nada, sem cultura, sem mito, sem história?”, questionou.

        Ele começou A recuperar a história de seu povo ao conhecer um adolescente de 16 anos chamado Judson. O menino fazia perguntas como: “Qual a minha etnia? Onde que eu pertenço? De onde que nós surgimos?” Para responder a todas essas dúvidas, eles conseguiram reaver o mito tukano da criação do mundo. O mito virou livro e foi impresso em São Paulo.

        Mito

        Segundo o mito, no início da criação do mundo não existia água, árvores, terra. Onde hoje é a Baía de Guanabara, Deus criou uma cobra-canoa. No ventre dela, nasceu a humanidade, com vários grupos étnicos. Eles foram subindo pela costa brasileira de sul para norte. Próximo a Ilha de Marajó, os índios entraram no rio Amazonas.

        Os povos navegaram rio acima até chegar ao rio Uaupés, na cachoeira de Ipanoré. O índio, o negro, o branco teriam surgido dessa cachoeira, e por isso ela seria tão grande. Cada buraco da cachoeira representa o surgimento de uma etnia.

        Para Judson, mais importante é conservar a cultura e a língua de seu povo. “Enquanto o índio estiver vivo, a cultura não vai acabar. Porque vai estar dentro de nós mesmos”, declarou.

Autor/Fonte: Portal da Amazônia | Edição: Berohokã
Avenida Isaac Póvoas, nº 901, Edifício Mirante do Coxim - 1º andar - Sala 101
CEP: 78.032-015, Cuiabá-MT
Fone: (65) 3052-1032 /