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História

11/08/2009 - 15h42
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Cacique diz que índios da Amazônia precisam de guerreiros políticos

Indígena relata que decidiu ir para a cidade para estudar e buscar mais informações

Cacique Odair José Borari - Foto Notícias do Bem

        O indígena Odair José Borari conta que saiu de sua aldeia pela primeira vez aos 14 anos de idade. “Meu pai não deixava nem a gente ir para perto do rio porque os ‘portugueses’ estavam lá”, diz. Portugueses é como os índios da aldeia Borari se referem aos não índios por força de tradição secular.

        Conhecido também como Dadá Borari, ele garante que a etnia sabe que não são mais portugueses, mas ainda assim é como o povo costuma falar. Ele é o segundo cacique – o próximo na linha de sucessão para chefiar a comunidade em sua aldeia, localizada a 14 horas de barco da cidade de Santarém, no Pará.

        Odair relata que decidiu ir para a cidade para estudar e buscar mais informações a fim de se formar um “guerreiro político”. "Temos os guerreiros que ficam na aldeia e que cuidam de nosso povo, mas precisamos também formar cada vez mais guerreiros políticos, que possam vir aqui para fora e lutar por nossos direitos", ressalta.

        Dadá chegou a ser vice-presidente do Conselho Indígena Tapajós Arapiuns e, por conta da militância, afirma ter sentido na pele a violência, comum em questões fundiárias no Estado. "Os madeireiros me pegaram e me deixaram por muitas horas amarrado no mato, me ameaçando com armas de fogo e me humilhando. Mas, daquela vez, eu senti que não queriam me matar, queriam só me deixar com medo para eu abandonar a luta".

        Odair chegou a receber uma escolta policial, através de um programa do governo do Estado de proteção a militantes de movimentos sociais ameaçados de morte. Mas ele afirma que isso não funcionou. “Essa violência só me fez ter mais certeza de que preciso defender os direitos de meu povo", destaca.

        Ele diz que não teve certeza de que poderia confiar nos policiais que foram enviados e acabou abrindo mão da proteção. "Recentemente, fui novamente ameaçado de maneira direta por madeireiros e fazendeiros. Preciso de novo de escolta policial, mas até agora o Estado ainda não concedeu", reclama.

        Paralelamente a militância política, Dadá Borari também é professor na escola de sua comunidade. Com um grupo de mais de 90 professores, ele participava de um curso de formação, em Santarém. "É com educação que vamos poder formar cidadãos mais prontos a lutar pelos seus direitos também entre os índios", avalia.

Autor/Fonte: Ambiente Brasil | Edição: Berohokã
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