Nenhum caso da gripe causada pelo vírus H1N1 foi confirmado entre indígenas brasileiros até o momento. Apesar disso, a possibilidade de a doença chegar aos índios, inclusive os amazônicos, é motivo de preocupação para a Fundação Nacional de Saúde (Funasa).
De acordo com o coordenador-geral de atenção à saúde indígena do órgão federal, Flávio Pereira Nunes, as populações indígenas apresentam uma vulnerabilidade maior às doenças respiratórias. “Elas são um fator de risco para potencializar a influenza A”, diz.
A região Norte, apesar de ter apresentado até agora relativamente poucos casos da nova gripe entre a população em geral, não está livre da doença. Todos os seus Estados tiveram casos confirmados, em especial o Pará, com 40 pessoas infectadas, segundo o Ministério da Saúde.
Segundo Nunes, além da maior incidência de doenças respiratórias, outros fatores de vulnerabilidade dos indígenas são, “suas condições socioambientais”, a desnutrição e as variadas doenças infecciosas que os afetam com frequência, o que tem relação com o fato de viverem, em muitos casos, em regiões isoladas e com menos acesso ao sistema de saúde.
Ações da Funasa
Como instituição responsável pela saúde dos índios do Brasil, a Funasa participa das reuniões semanais do Ministério da Saúde para coordenar o esforço de contenção da nova gripe. A fundação montou ainda um gabinete de crise interno para monitorar casos de doenças respiratórias.
Cerca de 400 mil índios pertencentes a 210 povos indígenas do país são atendidos pela Funasa. Seus 34 distritos sanitários indígenas receberam verba de R$ 8 mil cada para comprar máscaras, álcool gel e outros produtos necessários para prevenir a nova gripe.
“Se algum índio tiver confirmada a doença, também terá direito ao remédio Tamiflu, como qualquer outro paciente da rede de saúde pública”, explica Nunes.