Ainda incipiente mesmo a cerca de dois anos para a Copa de 2014, o setor turístico em Mato Grosso não consegue vender produtos atrativos e formatados para o público no exterior, encontrando-se ainda na condição de apenas expor o seu potencial para investimentos.
Pelo menos é esse o papel que a comitiva mato-grossense das secretarias de turismo estadual e municipal de Cuiabá devem desempenhar em duas grandes feiras internacionais de turismo marcadas para este mês de janeiro na Europa – a Vakantiebeurs, em Utrecht (Holanda) e a 32ª Fitur (Feira Internacional de Turismo), em Madri (Espanha).
“Nós estamos ainda muito amadores. Está nascendo agora o turismo no Estado”, resume o secretário-adjunto estadual de Turismo, Jairo Pradela.
Ele explica que Mato Grosso ainda se lança ao exterior na figura de um estado rico em paisagens, cultura e gastronomia para atrair os investimentos externos que devem finalmente explorar a região e instalar a estrutura necessária para a promessa do Estado - o turismo de natureza e aventura.
Basicamente, Pradela admite que o Estado ainda não tem condições de oferecer produtos e roteiros, limitando-se a mostrar seu potencial.
Isso fica claro no tipo de divulgação que a comitiva mato-grossense deve fazer. No material promocional produzido pela Embratur e levado para ser distribuído nas feiras traduzido em inglês, contam-se mais informações gerais sobre o Estado e seus biomas que indicações de atrações estruturadas para receber o estrangeiro.
Estão lá Chapada dos Guimarães, Vale do Araguaia, Floresta Amazônica, Cerrado e Pantanal, mas nenhuma informação sobre estrutura de hospedagem, estrutura de visitação ou de como ter acesso às atrações de turismo de aventura e de natureza – atividades que o trade turístico de Chapada, por exemplo, tem dificuldade de desenvolver devido à falta de guias bilíngues.
Além disso, nesse material são disponibilizados apenas os contatos telefônicos de órgãos do governo e prefeituras. Nem o Cristalino Jungle Lodge, empreendimento turístico de Alta Floresta, que aparece em destaque, tem o seu contato divulgado.
O material levado pela Prefeitura, por sua vez, até tenta levar – como um guia a ser utilizado pelo visitante ao chegar na cidade – informações sobre o centro histórico, onde o turismo urbano teria alguma atração.
Entretanto, é sabido que não há qualquer suporte de guia ou tradução ao visitante estrangeiro nos locais de interesse no centro histórico da cidade; sequer o centro de informações ao turista, na praça Rachid Jaudy, tem funcionários que falem inglês ou espanhol.
Pradela assegura que o Estado está correndo atrás do suporte ao turista por meio da qualificação de pessoal para o setor, trabalho comandado pela Secretaria de Trabalho e Assistência Social (Setas), a fim de receber uma demanda crescente de visitantes desamparados em informação de modo estrutural.