Um rio de águas límpidas, verdes. Uma mata fechada, intocada. Trilhas, esportes radicais, contemplação. Uma aldeia indígena rústica com os representantes da etnia paramentados e apresentando aos visitantes tudo que a cultura oferece, como se voltasse há 300 anos, sem o contato com o homem branco. Este cenário está prestes a se tornar realidade e na terra Paresí, entre os municípios de Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis. É o projeto da aldeia virtual turística, que começa a dar seus primeiros passos a 116 Km de Tangará, sendo 100 Km em estrada asfaltada e apenas 16 na terra.
Rony Paresí, Daniel Cabixi e Genílson Kesomae estão à frente do projeto, que terá um estrutura única em termos de Brasil. “Existem outras aldeias com propostas parecidas com esta na Bahia, em Goiás, no Amazonas, mas aqui, mais para o Norte e em nossa região, não. Seremos um modelo que poderá ser desenvolvido até por outras comunidades indígenas futuramente”, salienta Rony Paresí. Segundo o projeto, a Aldeia Wazarê terá todos os elementos citados acima, com habitações próprias das aldeias de 300 anos atrás, antes da mistura cultural branca. Os indígenas que viverão no local, estarão sempre paramentados e, aos visitantes, servirão de guias, sempre incentivando a preservação ambiental.
Será uma aldeia de convivência, onde o turista aprenderá sobre a cultura e poderá participar de danças típicas, dos esportes indígenas, das pinturas e dos rituais, adentrando num universo diferente do vivenciado na área urbana e nas comunidades ditas civilizadas. “Queremos dar às pessoas a verdadeira percepção do que é a comunidade indígena, visando a questão do rompimento de preconceitos, da preservação ambiental. É um projeto inovador, que visa atender à expectativa turística e cultural da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas, transformando nossa terra em roteiro e criando emprego e renda dentro da própria comunidade. Será uma aldeia autossustentável”, explicou.
Rony também chamou atenção para aqueles que trabalharão na Wazarê, todos com nível médio, superior ou com especialização, atentando para a abertura de visões do mundo em relação ao atendimento que será dado ao turista/visitante do local. A escola da aldeia também terá um papel importante, ensinando os pequenos indígenas na sua língua materna e na portuguesa, bem como chamando a atenção para a cultura Paresí; uma forma de mantê-la viva também nas gerações mais jovens. Para atender o turista, algumas tecnologias, como banheiro e área para camping constam do projeto.
O visitante vai ser recepcionado por um guia, indígena e paramentado – no caso de ser turista estrangeiro, haverá um da própria comunidade para atender, guiar e auxiliar o grupo ou indivíduo -, e terá à disposição trilha ecológica, passeio de barco rústico, apresentação de danças e rituais, modalidades esportivas, pinturas corporais e passarelas para visualizar o Rio Verde e suas belezas, entre outros atrativos.