Um dos principais atrativos turísticos de Mato Grosso – e que ajudou a garantir a escolha de Cuiabá como sede da Copa do Mundo – não tem água. Chapada dos Guimarães vive meses de racionamento, sacrificando a população. As três nascentes que abastecem o sistema de captação de água, na seca, viram filetes de água. A população mais distante da região central recebe água via caminhões-pipa. O investimento que a cidade se prepara para receber, no entanto, é um teleférico de R$ 6 milhões- patrocinado com recursos públicos a ser explorado por uma empresa privada.
Em Nobres, a cidade da “Lagoa Azul” e das grutas, os atrativos enfrentam as precárias condições da rodovia e meios de hospedagem. Até o momento, não se conhece absolutamente nenhum projeto sustentável para a região. Há uma disputa sobre o domínio da área que se arrasta há mais de 20 anos. Aproximadamente 750 famílias foram assentadas em pequenas propriedades rurais, a partir de 86, em áreas desapropriada. Muitas delas estão sobre cavidades naturais e fontes de água.
O Parque Gruta da Lagoa Azul foi criado em junho de 2000 abrangendo uma área de 12.512 hectares, com o objetivo de conservar e preservar a fauna, a flora e as cavernas. O local desperta grande interesse, fascínio e admiração nas pessoas. Porém, os próprios moradores do entorno questionam a falta de um plano de manejo e temem pela destruição do ecossistema. Muitos defendem a interdição do local contra a visitação de turistas. “É preciso investir na Transpantaneira, afinal é o acesso mais importante do Pantanal. Estamos bem atrasados para se ter uma estrutura condizente com o Mundial” – diz o presidente do Sindicato das Empresas de Turismo de Mato Grosso.
Histórico no setor, o empresário Jaime Okamura, integrante do Fórum Estadual dos Empresários de Turismo, em reunião durante esta semana com o presidente da Agencia Executora de Projetos da Copa no Panantal, destacou que Campo Grande, mesmo sem a Copa, deverá ter mais benefícios no setor turístico que Mato Grosso. Para ele, a questão está ligada diretamente a necessidade de fortalecimento do marketing com a finalidade de mudar a imagem do Estado perante o restante do país.
O diretor de Comunicação e Marketing da Agecopa, Roberto França Auad, salientou que a divulgação de Mato Grosso ocorrerá na hora certa. Segundo ele, não adianta divulgar cidades sem estrutura de receptivo e sem estradas. “A infraestrutura, a capacitação e o marketing tem que andar juntos” – ele ponderou, ante a ansiedade do segmento. França disse que a Copa em Cuiabá, terá os investimentos necessários em publicidades, em mídias e na ampliação das redes de comunicação sobre os assuntos do Mundial. “Quero o apoio de todos os setores neste processo”.