O aproveitamento das usinas sucroalcooleiras na entressafra da cana de açúcar para produzir etanol oriundo do milho deve ganhar força nas rodadas de discussões e propiciar o aumento de área plantada em Mato Grosso, sem correr o risco de uma safra maior pressionar os preços para baixo. Esta é avaliação do presidente da Aprosoja Brasil, Glauber Silveira, em artigo publicado na revista Globo Rural.
Segundo Glauber, atualmente o Estado não aumenta a produção do cereal porque não há mercado. Porém, caso as usinas se adaptem para fabricar etanol com o grão durante a entressafra da cana os produtores têm condições de atender a demanda. “Em Mato Grosso há grande potencial para produção de milho na segunda safra. Atualmente nós [produtores] não produzimos mais porque não há consumo”, diz.
A avaliação do presidente da Aprosoja é balizada em estudos que apontam a viabilidade de tornar as usinas em uma espécie de “flex”, ou seja, aproveitar os meses ociosos da entressafra para extrair etanol do milho. “A viabilidade dessas usinas está atrelada à otimização de todos os processos e a utilização da usina durante o ano inteiro, bem como de sua produção de energia via bagaço”, comenta o líder ruralista.
Os especialistas apontam que um dos insumos mais caros para produzir etanol do milho é a energia. Mas Glauber lembra que uma alternativa de redução do custo seria utilizar o bagaço da cana como fonte energética. Silveira também lembra que na América do Sul já se produz etanol do milho, como na Argentina e no Paraguai.
Caso o tema ganhe mesmo as rodas de discussões e uma cadeia produtiva nesse sentido seja desenvolvida, os proprietários de veículos flex serão os principais beneficiados, já que o setor sucroalcooleiro preferiu destinar a cana para a fabricação de açúcar – em detrimento do combustível -, já que os altos preços no mercado internacional garantem uma rentabilidade maior para os usineiros.