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Crítica

27/12/2011 - 13h55
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Desconfianças e medos cercam projeto de Belo Monte

Muito do que foi prometido não está saindo do papel no ritmo esperado

Foto: Portal.cnm.org.br
Município de Altamira é a principal sede de Belo Monte e já sente os impactos

         A usina hidrelétrica de Belo Monte está prevista para entrar em operação apenas em 2015, mas a obra, que poderá superar R$ 30 bilhões e é a maior do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), já alimenta um mar de polêmicas e dúvidas. Num ponto, contudo, todos parecem concordar. É preciso agir com urgência para, pelo menos, amenizar os problemas causados por um empreendimento desse porte no coração da Amazônia. Ao mesmo tempo, garantir que a exploração do potencial energético da região deixe benefícios para a população local e não apenas os possíveis impactos negativos.

         Para licenciar a obra, a empresa Norte Energia se comprometeu a cumprir uma série de condicionantes, algumas consideradas emergenciais, mas muito do que foi prometido não está saindo do papel no ritmo esperado.

          O município de Altamira é a principal sede de Belo Monte e já sente os impactos. A população deve praticamente dobrar, sobrecarregando serviços públicos, além do impacto sobre preços de produtos e serviços em Altamira e arredores. Para se ter uma ideia, um imóvel que até um ano atrás era alugado por R$ 1 mil, hoje está custando R$ 3 mil mensais. Um quarto simples, cujo aluguel custava menos de R$ 200,00 por mês, está sendo oferecido no mercado por um salário mínimo (R$ 545,00).

          O procurador da República Ubiratan Cazetta, que acompanha várias ações contra o processo de licenciamento da usina e denuncia o não cumprimento das medidas para reduzir os impactos, defende que haja um volume de investimento em ações estruturantes nos municípios sob influência do empreendimento e critica a política de ações paliativas.

          Segundo ele, contudo, falta aos municípios estrutura para fazer frente a uma obra de R$ 30 bilhões. “O primeiro pedido de Altamira para a empresa foram cinco picapes, coletes para os guardas de trânsito e 50 semáforos. Para uma cidade que vai passar a sofrer com o inchaço, o ideal seria pedir um excelente plano de desenvolvimento urbano e contratar os melhores urbanistas do Brasil para fazê-lo. É preciso olhar essa relação como sendo de longo prazo e pensar a cidade como uma cidade para o futuro. Construir uma escola ou prédio de um hospital não é difícil para quem tem uma obra de R$ 30 bilhões. Agora quem vai pagar médico, a folha de professores?”

Autor/Fonte: Diário do Pará | Edição: Berohokã
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