Um misto de terras férteis, luminosidade e chuvas regulares têm atraído agricultores a investir na região Araguaia, situada na porção Nordesde do estado. Para a chamada "última fronteira agrícola", projeta-se um crescimento considerável na produção de grãos nos próximos anos a partir da incorporação de terras degradadas. Atualmente, o Araguaia possui 6 milhões de hectares em áreas de pastagem. É a maior de Mato Grosso, de acordo com dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Porém, apesar do otimismo, o agricultor sabe que vai precisar de no mínimo três anos para recuperar o investimento na conversão do solo e prepará-lo para receber os grãos. Isso implicaria, na maior parte das vezes, em um retorno considerado de médio prazo. Hoje, as 22 cidades da região têm a base econômica apoiada na pecuária e o cenário começa a mudar e o gado acaba cedendo espaço à agricultura.
O produtor Hamilton Dauzáquio apostou na região. Ele é sócio de um grupo que atua no segmento agrícola e que transformará 50 mil hectares degradados em lavouras nos próximos anos. Inicialmente, 13,5 mil hectares já começaram a sofrer readequação nos municípios de Vila Rica e Santa Terezinha, distantes 1.276 e 1.329 quilômetros de Cuiabá, respectivamente. "Estamos transformando as áreas velhas de pasto degradadas há 30 ou 35 anos, corrigindo-as com a lavoura. A última fronteira agrícola é a grande oportunidade", declarou.
Para colocar em prática o planejamento, o grupo deve investir até R$ 1,3 mil por hectare para transformar o pasto em lavoura. Ou, em três anos, 150 sacas de soja por cada hectare. Os irmãos Édio e Eloi Brunetta detêm 24 mil hectares distribuídos entre Porto Alegre do Norte, Canabrava do Norte e Confresa. Somente de soja serão 15 mil hectares e de milho outros 9 mil hectares.
"Essa região do Araguaia é uma das poucas do Brasil e do mundo que têm áreas abertas consolidadas, pois estão degradadas e precisam ser recuperadas", frisou Edio. A proximidade com os estados do Maranhão e Tocantins também favorece a retirada da produção agrícola. "A região é estratégica", resumiu Hamilton Dauzáquio.