Este ano a área de soja em Mato Grosso, principal produtor da leguminosa, deve crescer 200 mil hectares em relação à safra passada. Tudo em cima de pastagens degradadas. No noroeste de São Paulo, em Araçatuba, os canaviais avançaram, de cinco anos para cá, exclusivamente em áreas de pasto - a região, conhecida como Terra do Boi, vai sendo ocupada por usinas de açúcar e álcool que por ali se instalaram - pelo menos 15.
Segundo o presidente da Associação dos Produtores de soja de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Glauber Silveira, "nosso Estado dispõe de 5 milhões a 6 milhões de hectares de terras aptas à agricultura ocupadas com pasto". Na safra passada, Silveira diz que 100 mil hectares de pasto já foram convertidos, sobretudo no oeste. Para Silveira, o incremento na área de lavouras poderia ser maior, pois "há muitos pecuaristas que resistem em arrendar área e não dispõem de capital necessário para investir em lavouras de grãos".
Ele acredita que se o mercado continuar bom para os grãos, "a incorporação de pastagens continuará a ser a grande tendência". O pasto tem se firmado como "a nova fronteira" agrícola num cenário em que se acentuam as restrições ao desmatamento e também em lugares nos quais, na verdade, já quase não há mata nativa a ser derrubada. Além disso, dependendo da região e da distância em relação aos polos produtores, desmatar já não é economicamente viável.
Área aberta para a expansão é o que não falta, aliás. Segundo estudo do professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), Gerd Sparovek, o País dispõe de 60 milhões de hectares de pastagens com elevada ou média aptidão agrícola, dos quais boa parte cedo ou tarde será convertida em lavoura para atender à crescente demanda mundial por alimentos.