Há uma semana, o maior ninhal de pássaros aquáticos do Pantanal, localizado às margens do Rio Paraguai, está com seu entorno tomado pelas chamas, que se comportam conforme a intensidade dos ventos. À noite, o fogo se alastra timidamente por baixo da vegetação acumulada e, durante o dia, devido à presença de rajadas de vento, labaredas surgem a todo momento.
Satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectaram apenas na tarde do dia 19 de setembro três focos de incêndio a poucos metros de distância do ninhal. Às vésperas do início da primavera, o ninhal está repleto de pássaros que ainda não conseguem voar, o que os deixa em uma situação de completa vulnerabilidade.
Em entrevista, o analista ambiental da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Marcos Ferramosca, informou que o ninhal se estende por uma faixa de 800 metros da margem direita do rio, na área da fazenda Descalvados, e concentra pelo menos 10 mil aves de várias espécies, entre garças, cabeças secas e colhereiros.
O analista avalia que, caso o incêndio não seja apagado, todo o ecossistema da região será afetado. “O ninhal tem hoje filhotes de todas as fases reprodutivas e é um local que controla a cadeia alimentar da região. Muitas espécies de aves dependem do ninhal para se reproduzir e outras para sobreviverem. Se o fogo chegar até o ninhal teremos uma perda inestimável”, disse Ferramosca.