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Reaproveitamento

29/06/2011 - 15h03
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Grupo de estudantes e professores da UFMT desenvolve projeto de reuso da água

O sistema que reaproveita a água da lavagem de roupas promove economia e sustentabilidade ambiental

Foto: cuiaba.mt.gov.br
A iniciativa foi finalista do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, edição 2005

        Criado na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT, um sistema de reuso de água possibilita economia de até 27%, redução da quantidade de esgoto produzido e cuidado com o meio ambiente. A instalação pede apenas dois reservatórios e uma bomba, e o custo varia a cada residência, mantendo-se em uma média de R$ 1.100 reais. A experiência teve início na residência de um casal de professores da universidade, Nicolau Priante Filho e Josita Correto Priante. Eles perceberam que, quando lavavam roupas, faltava água. Decidiram, então, criar um sistema para reaproveitar a água da máquina de lavar e utilizá-la na descarga sanitária e no jardim, minimizando o problema.

        A partir disso, um grupo de estudantes e professores da UFMT desenvolveu o projeto Reuso da água de lavagem de roupas, entre os anos de 2004 e 2006, implantando o sistema em sete residências, no Parque Cuiabá, local em que havia constante falta de água. A iniciativa foi finalista do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, edição 2005, além de escolhida como tecnologia social de potencial de transformação e reaplicação durante o 2º Fórum Nacional da Rede de Tecnologias Sociais (RTS), realizado em Brasília, em 2009.

        Dois anos depois, o engenheiro mestre em Hidráulica e Saneamento, Rafael de Paes, desenvolveu estudo acerca da quantidade e qualidade da água reutilizada e acompanhou o comportamento das sete famílias que instalaram o sistema. Elas economizaram entre 8 e 27% da água, variando de acordo com o consumo. Das sete casas, três continuaram fazendo o reuso. De acordo com Rafael, o gasto com as descargas sanitárias é muito alto em uma residência, podendo chegar a 35% do consumo total – em uma família de seis pessoas, o gasto médio é de 50 litros por pessoa, diariamente. Por outro lado, cerca de 40% do consumo de uma casa é de água não-potável, ou seja, que poderia ser reutilizada.

        Ele observou ainda que a família pode ter retorno financeiro – com a economia que o sistema gera –, entre quatro meses e cinco anos após a instalação, a depender do próprio consumo. No entanto, ressalta que a preocupação financeira não deve ser central na decisão de utilizar o sistema, mas sim a "redução do consumo visando promover a conservação dos recursos hídricos e o desenvolvimento sustentável”.

        Agora, o sistema será implantado em 40 residências no entorno da Lagoa Encantada do bairro CPA III, com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e deverá começar a funcionar em dois anos. Para as famílias de outros bairros que tenham interesse no sistema, um grupo de voluntários realiza visitas e instrui sobre a instalação. Há ainda um projeto para criar uma empresa incubada de consultoria no assunto.

Autor/Fonte: EcoAgência | Edição: Berohokã
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