BEROHOKÃ O GRANDE RIO ARAGUAIA
/publicidade

Problemas

01/06/2011 - 15h43
IMPRIMIR ESTA MATÉRIA
A+
A-

Consórcio descumpre exigências de saneamento na região de Belo Monte

Constatações fazem parte da análise que está sendo preparada pelo Ministério Público Federal no Pará para decidir se recorrerá à Justiça

Foto: Psicoambiental.files.wordpress.com
Rio secará em uma área do rio habitada por 20 mil índios, prejudicando a qualidade de vida deles

        O Consórcio Norte Energia está descumprindo pelo menos duas obrigações necessários à obtenção da licença de instalação da Usina de Belo Monte, no Rio Xingu (PA). Uma delas é relativa à qualidade da água, em decorrência das obras de saneamento, e a outra à navegabilidade do Rio Xingu. Essas constatações fazem parte da análise que está sendo preparada pelo Ministério Público Federal no Pará para decidir se recorrerá à Justiça, mais uma vez, contra o empreendimento.

        A licença de instalação foi concedida hoje (1º) pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). De acordo com o MPF, o Ibama havia exigido 100% de saneamento. Agora, nas justificativas da licença, o órgão diz que haverá problema na qualidade de água de Altamira, município mais próximo das obras.

        O MPF informou à Agência Brasil que o Ibama usou de um termo técnico – “eutrofização” – para dizer que em algumas localidades a água ficará “podre”, com excessos de compostos químicos, provocando aumento da quantidade de algas no rio.

        Outro ponto criticado pelo MPF foi a condição apresentada durante a licença prévia, de que não poderia haver interrupção da navegabilidade em trecho algum da área afetada pelo empreendimento e em nenhum momento da obra. O MPF afirmou que o rio secará em uma área do rio habitada por 20 mil índios. De imediato, isso causará prejuízo à qualidade de vida desses indígenas, segundo o MPF.

        Essas constatações não surpreenderam o MPF porque, no relatório de intervenções físicas enviado na semana passada pelo consórcio Norte Energia, as condicionantes de saneamento e navegabilidade já haviam sido deixadas de lado. O documento, informa o MPF, tratava apenas de ações previstas até julho de 2012 nas áreas de saúde e educação.

        Mais cedo, ao anunciar uma série de medidas para reduzir possíveis impactos socioambientais das obras, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, falou sobre a possibilidade de o MPF acionar a Justiça contra a emissão da licença ambiental.

        "O licenciamento está muito robusto e estamos tranquilos quanto a isso. É um direito do Ministério Público eventualmente acionar a Justiça. Estamos confiantes que a Justiça reconhecerá isso", disse a ministra.

 

Autor/Fonte: Agência Brasil | Edição: Berohokã
Avenida Isaac Póvoas, nº 901, Edifício Mirante do Coxim - 1º andar - Sala 101
CEP: 78.032-015, Cuiabá-MT
Fone: (65) 3052-1032 /