Pouco mais de 12 meses após o registro da segunda maior cheia registrada em cem anos, os moradores da Amazônia correm o risco de ficar sem abastecimento de água e alimentos por conta do baixo nível de água no Rio Amazonas, que se transforma em Solimões ao entrar no Brasil e depois volta a ser chamado de Amazonas quando encontra com o Rio Negro, em Manaus.
O mesmo acontece na Bacia do Rio Purus, onde os níveis d´água estão muito baixos nas duas estações monitoradas pelo CPRM - Serviço Geológico do Brasil. - Quando o nível do rio desce, deixa seco os lagos que se foram em regiões topográficas localizadas acima dos níveis dos cursos d´água.
Quando tem a vazante, o nível do rio baixa e leva a água dos lagos. É aí que acontece a mortandade dos peixes e há dificuldade na manutenção da água potável para as comunidades - afirma Marco Antônio de Oliveira, superintendente regional da CPRM em Manaus.
Em Rio Branco, o nível do Rio Acre está apenas 27 cm acima da maior vazante registrada na série histórica de 2005 e em Boca do Acre, no Rio Purus, o nível d´água está apenas 56 cm acima da vazante máxima, em 1998.
"Todas as grandes vazantes coincidiram com a ocorrência do fenômeno El Niño, como este ano. Estamos no início do período das secas, que vai até o início outubro. Se não chover até lá, podemos chegar a níveis ainda mais críticos", garante Oliveira.
Na Bacia do Rio Madeira, em Humaitá o nível d´água está 29 cm acima do valor registrado para a mesma data do ano da vazante máxima, em 1969. Com os baixos níveis dos rios, o transporte de suprimentos para toda região amazônica fica comprometido e os preços dos mantimentos sobem.
"O principal acesso é por meio fluvial e, por isso, algumas embarcações têm dificuldade de atravessar as faixas de areia e encalham. Há, então, risco de desabastecimento de algumas comunidades ribeirinhas", conta.
Segundo o superintendente do CPRM, na Bacia do Rio Solimões/Amazonas, os níveis d´água continuam com valores abaixo dos registrados nos anos das vazantes máximas em todas as estações monitoradas, exceto Tabatinga, que está apenas 5 cm acima do nível registrado para a mesma data do ano da maior vazante .