Deixar de queimar propositalmente as florestas tropicais, savanas e áreas agrícolas -como canaviais - pode baixar a contribuição da humanidade ao aquecimento global em 19%.
A cifra, publicada em um artigo de revisão na revista científica "Science" escancara a importância das queimadas no fluxo de energia global. Os cientistas não sabiam que o fogo tinha tanta importância assim.
Os cálculos dos cientistas mostram onde estão as fontes de queimadas que mais bombeiam gases de efeito estufa. Entre 1997 e 2006, os trópicos asiáticos contribuíram com 54% das emissões. Dos trópicos americanos, principalmente da Amazônia, saíram 32%. A África fecha a conta com a contribuição de 14%.
Mas é na Amazônia, mais especificamente em Mato Grosso, que está a maior intensidade de focos de calor do planeta. Entre 2000 e 2005, segundo um estudo americano publicado em 2006, Mato Grosso tinha duas vezes mais queimadas que qualquer outra região.
O agravante, segundo o físico da USP (Universidade de São Paulo), Paulo Artaxo, é que a redução das queimadas na Amazônia, por exemplo, não vai melhorar a temperatura do planeta de forma direta, logo no ano seguinte. A escala de tempo é de décadas. "O carbono que vai para a atmosfera hoje vai sendo acumulado", diz.
O fogo, que está cada vez mais presente por causa das mudanças climáticas, costuma causar grandes prejuízos. No fenômeno El Niño de 1997-1998, na Ásia tropical, as estimativas mostram uma conta de US$ 9 bilhões. Na América Latina, mais seca e por isso mais inflamável, os débitos ficaram em US$ 12,5 bilhões - pouco menos que os US$ 13,4 bilhões dados pelo governo americano para socorrer a GM.
Diante das mortes, das secas e do aquecimento global em pleno curso, os cientistas esperam que os países tropicais passem a considerar mais corretamente o peso das queimadas.