Um chip com um buraco no meio para ser pregado às árvores e carrega no seu software dados sobre o processo de crescimento das espécies e a data prevista para o seu corte, no caso de planos e manejo, é a nova arma em estudo pelo governo federal e alguns Estados para o combate ao desmatamento na Amazônia e em outras áreas de preservação ambiental, como a Mata Atlântica. O chip é de plástico, do mesmo tamanho e formato de uma moeda de R$ 1.
Criado por pesquisadores do Instituto Web Florestal (IWF), o dispositivo funciona como a ponta de um sistema de monitoramento eletrônico e é capaz de gravar dados digitais criptografados, como espécie, altura, diâmetro e volumetria das árvores, além das características biológicas e localização exata da espécie na floresta. Sensível ao meio ambiente, o chip pode disparar um alarme nos postos de fiscalização ambiental que ficam a muitos quilômetros de distância se determinadas árvores estiverem sendo cortadas, atingidas por queimadas ou até vendavais.
O dispositivo emite ondas de rádio em UHF a um raio de 15 km, informando os dados para um computador central. Testado com sucesso nos 100 hectares na fazenda Buriti, na Chapada dos Guimarães (MT), o sistema é fruto das pesquisas do biólogo Élvio Sheller, que também trabalha na Universidade Federal do Mato Grosso. Ele teve a idéia quando desenvolvia na Universidade de Sheffield, na Inglaterra, um projeto para a monitorar o índice de poluição no Reino Unido.
A tecnologia já está sendo utilizada em projetos em Mato Grosso e em um piloto da SOS Mata Atlântica em São Paulo. Os primeiros testes foram considerados satisfatórios e agradou aos ambientalistas. “É um avanço na fiscalização e monitoramento de áreas de preservação” comemora Mário Mantovani, dirigente da organização não governamental. A instituição estuda implantar o sistema de controle em todas as áreas que monitora.