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Desmatamento

27/04/2009 - 10h08
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Estudo comprova que ação humana afeta ciclo do carbono no Xingu

A área estudada, situada na fronteira agrícola, já tem plantações próximas

Foto: Vania Neu/Arquivo Pessoal
Situada na fronteira agrícola, a área estudada pela bióloga já tem plantações muito próximas

        Está comprovado que a ação humana, como queimadas, desmatamento e agricultura interferem no fluxo de carbono na floresta. Medições feitas durante um ano numa bacia afluente do rio Xingu, no município de Canarana (MT), confirmou a suspeita.

        A região é de mata de transição entre o cerrado e a floresta tropical, e está sob pressão do avanço da fronteira agrícola. “Esse ecossistema está sumindo do mapa quase sem estudo”, afirma a bióloga Vania Neu, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP).

        Com o objetivo de avaliar se a floresta contribui para reduzir a quantidade de gases causadores de efeito estufa na atmosfera, a bióloga instalou equipamentos que medem a quantidade de carbono nos rios, no solo e na chuva. “Pudemos observar que na água da chuva entra grande quantidade de carbono orgânico, que vem da agricultura, das queimadas e do desmatamento”, explica a cientista.

        Ela mediu a presença de 8200 kg de carbono por quilômetro quadrado ao ano na água pluvial. O índice é aproximadamente o dobro do registrado em zonas da floresta ainda distantes dos desmatamentos, como a maior parte do Estado do Amazonas.

        A área pesquisada, conforme a bióloga fica próxima ao Parque Indígena do Xingu. De acordo com ela, as comunidades indígenas dali dependem do rio e da floresta para sobreviver. Ela conta que fez várias visitas para ver como estava a água e qual era o impacto do desmatamento e das queimadas na aldeia.

        Após muita conversa com os índios, ela soube que algumas atividades deles estão sendo prejudicadas. Com o revolvimento da terra para agricultura, a água dos rios fica turva e há mais assoreamento. “Eles contam que antes pescavam com arco e flecha, pois viam os peixes. Agora, a água é turva e não conseguem vê-los”, relata.

        Para Vania, o revolvimento da terra com máquinas nas plantações, além de afetar os rios, contribui para a liberação de carbono para a atmosfera. “Quando a terra é revirada pelas máquinas, ocorre maior oxidação do solo”, explica.

        Uma alternativa apontada por ela é o chamado plantio direto, em que a terra não é revirada para a semeadura. Com esse método, a palha e os demais restos vegetais são mantidos na superfície da lavoura, servindo de cobertura e proteção contra processos prejudiciais como a erosão.

        O solo só é manipulado no momento do plantio, quando são abertos sulcos para a deposição de sementes e fertilizantes. A técnica, explica a bióloga, é comum no Sul brasileiro.

Autor/Fonte: Globo Amazônia | Edição: Berohokã
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